Comportamento Mamãe e Bebê

Criação com apego, afinal o que é isso?

Criação com apego
Criação com apego
Clarice com 1 mês

Nosso queridinho pediatra, Carlos Gonzales, no livro Besame Mucho, também aborda a criação com apego. Essas ideias de que não podemos pegar demais o filho no colo, de que não podemos amamentar a noite, de que devemos deixar o bebê chorar no berço sozinho para aprender a dormir ou de que não devemos amamentar por livre demanda, são muito questionáveis. Por que deixar o bebê chorar e negar carinho para ele? Qual o malefício de se dar amor ao bebê e confortá-lo? Transformaremos as crianças em monstros que irão nos sugar pro resto da vida? Que tipo de treinamento sistemático devemos sujeitar esses bebês? Porque não acolher esse bebê que ainda esta aprendendo sobre o mundo? Porque devemos impor as dificuldades da vida tão cedo aos nossos filhos? Não consigo entender porque o primeiro mundo que nosso filho conhece tem que ser “duro”? Isso os tornará fortes para enfrentar os problemas da vida?

Existe uma ideia de que bebês devem dormir a noite toda, mamar em determinados horários e por determinado tempo, devem conseguir ficar sozinhos em seu berço, não devem chorar, e principalmente não devem ficar no colo. Oi!? Como assim? Que ideia de desapego é essa que queremos ensinar aos nossos filhos?

Bebês não são como a “Baby Alive”( aquela boneca moda do momento) que alimento, troco fralda, dou banho e pronto, está tudo ok! Quem dirá que ficarão ótimos deitados em seu berço e poderei continuar com a minha vida. Bebês querem conforto, querem se sentir protegidos, precisam de nós adultos para dizer que está tudo bem e isso inclui dar atenção e amor ao bebê conforme a necessidade dele. Bebês possuem necessidades emocionais além das físicas. Um dia eles crescerão e não teremos mais esse tempo para desfrutar totalmente dos nossos filhos. Um dia fatalmente irão trilhar seus próprios caminhos, ganharão asas e não precisarão mais ser ninados, acalantados e aconchegados em nosso colo. É um curto período da vida em que nossos filhos precisam integralmente de nós e porque precisamos negar isso? O que tornará nossos filhos capazes de enfrentarem os problemas da vida é ser forte emocionalmente, é saber que possui pessoas que poderá contar sempre, que possui uma família que o ama acima de tudo.

A criação com apego consiste em estabelecer um vínculo afetivo seguro e forte entre as crianças e os seus cuidadores. Para nós pais, significa disponibilidade emocional para nossos filhos. Bebês precisam de aproximação, de proteção e de previsibilidade. Conforme pesquisas, o desenvolvimento emocional, neurológico e físico são ampliados quando essas necessidades são atendidas. Diversas pesquisas comprovam  os malefícios de se deixar o bebê chorando. Tocar, acalantar e abraçar o bebê só trazem benefícios para o seu desenvolvimento.

Conforme o Attachment Parenting International (API), existem 8 princípios gerais que norteiam a criação com apego. Estes princípios promovem o apego desde a gestação até com crianças de 8 anos. Acima de regras a serem seguidas, são orientações que  devem se adequar conforme a vida e a necessidade de cada família. Devemos fazer somente aquilo que funciona para nós e o resto jogar fora como eles ensinam em seus cursos.

Conheça os princípios e a descrição de forma resumida:

  1. Preparando para a gestação, nascimento e criação: Os pais se preparam para gerar e receber este novo ser, estudando, resolvendo problemas de infância e familiares, estudando filosofias de criação, planejam o parto para que seja o mais amoroso possível e como serão os cuidados do bebê nos primeiros dias.
  2. Alimentando com amor e respeito: seria a construção de vínculos fortes com o bebê através da alimentação, amamentando em livre demanda e dando conforto e segurança ao bebe por meio da alimentação. Não usar bicos artificiais e se caso o bebê precisar do uso da mamadeira que a mãe possa alimentá-lo. No início da introdução alimentar, deixar o bebê guiar este processo e quando ele estiver pronto para isso, deixar desenvolver naturalmente o paladar, tratar a introdução como complementar e sendo gradualmente substituída pela alimentação do leite.
  3. Respondendo com sensibilidade: a base da criação com apego é a resposta sensível as necessidades da criança. Os bebês não nascem prontos e precisam da nossa ajuda para se adaptar ao novo mundo, são imaturos e não sabem se acalmar ou dormir sozinhos, precisam de contato físico constante. Respeite o choro do seu filho e entenda que essa é a única forma de se expressar. O carinho e o aconchego são mais efetivos e saudáveis do que a bronca e a repressão ao choro.
  4. Usando o contato afetivo: garantir o contato físico é parte essencial para suprir as necessidades do bebê, o uso do sling ou de cangurus ergonômicos ajudam neste processo, mas há outros momentos como o banho, a alimentação e as massagens, onde o contato afetivo é benéfico.
  5. Garantindo o sono seguro, física e emocionalmente: cama compartilhada tem grandes benefícios quando bem praticada por pais informados. O respeito pelo sono do bebê é essencial. Ensinar a dormir quando está com sono e não forçar a ficar acordado para dormir em determinados horários.
  6. Provendo cuidado consistente e amoroso: é importante a presença de um cuidador amoroso receptivo, o ideal é que seja os pais, mas quando não puder ser é importante que a pessoa seja amável e de confiança do bebê. Evitar longas separações e stress com cuidadores desconhecidos ou sem empatia ao bebê.
  7. Praticando a disciplina positiva: Nos colocar no lugar do bebê e da criança na hora da disciplina, tratá-los como gostaríamos de ser tratados. Não colocar medos ou punições físicas. É importante usar técnicas como prevenção, distração e substituição para guiar gentilmente as crianças.
  8. Mantendo equilíbrio entre a vida pessoal e a familiar: Muitas vezes esquecido, é importante manter nosso equilíbrio. Suprir nossas necessidades, sermos reconhecidos e valorizados é essencial para se manter um ambiente saudável.

Pesquisas na área de psicologia e desenvolvimento infantil, afirmam que os bebês e as crianças percebem as relações entre seus pais através do contato físico e de necessidades atendidas. A criação com apego favorece o desenvolvimento pleno, possibilita que sejam pessoas mais confiantes, flexíveis e  com vínculo familiar forte.

Não existe receita de bolo para criação de filhos, mas aqui em casa vamos praticando a criação com apego e criando ferramentas para aplicar as orientações conforme a nossa realidade. Não praticamos todos os princípios, mas acreditamos e escolhemos este caminho para poder criar uma criança autoconfiante, com valores de empatia e compaixão.  Se estamos fazendo certo? Somente o tempo poderá nos responder.

E na sua casa? Como esta sendo a criação dos filhotes?

 

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