Há dois anos minha vida mudou. E sendo clichê, mudou de verdade e para melhor. A Clarice me deu oportunidade de fazer um restart: pude encontrar os verdadeiros valores perdidos na corrida desenfreada da vida moderna.

Aprendi sobre o valor do tempo, da pausa, sobre o poder do olhar e do toque. Não importando os resultados e sim os processos. A vida em toda a sua grandeza se mostrou para nós em detalhes de um recém-nascido, no crescimento de uma filha.

Ao criar uma filha, pude deixar emergir minha criança interior, me dei o direito de errar – e errar muito. Acolhi a infância como quem acolhe um amor, e hoje nos encontramos nesse lugar mágico de música, riso, dança, sonecas, soluços, doces, abraços e beijos. A Clarice nos deu oportunidade de acessar nossa humanidade.

Não quero chegar em um futuro e dizer que o tempo passou tão rápido que não vi minha filha crescer. Não quero fazer parte dos amargurados que lamentam ter perdido uma das melhores fases da vida. Nós, eu e o Thiago, aproveitamos 100% esse momento e nos orgulhamos de poder priorizar aquilo que realmente é essencial: a vida.

Lá em casa, escolhemos não ter uma festa grandiosa e cheia de pompa e circunstância, porque gostamos da oportunidade de poder curtir junto com a Clarice a festinha de aniversário. Sabe aquelas festas de infância, com cheiro de salgadinho pela casa, de bexiga pendurada? Aquela sensação de que todos estão fazendo algo por você e para você? Aquele sentimento de se sentir especial, porque está aproveitando o momento com as pessoas que mais ama?

Não quero dar atenção para convidados e me preocupar com roupas, fotos e tudo mais que implica uma festa. Quero me preocupar somente se a Clarice está aproveitando o aniversário dela. Fazer aniversário é um ritual, é uma passagem e significa crescer e ser valorizado na família.

Para nossa família, faz sentido prepararmos algumas guloseimas e estarmos reunidos para um parabéns significativo, sem personagens de desenho, sem temas desconectados de nós e da nossa vida. O tema da festa é a celebração da vida.

Cada família tem o seu modo de comemorar, e o importante é estar em sintonia com seus valores e com as memórias que você gostaria de deixar para o seu filho. Pode ser que um dia a Clarice peça uma mega festa, e se acharmos coerente teremos festão sim! Mas, até lá, daremos valor para aquilo que somos e temos no agora.

Independente da situação financeira, quero que a Clarice possa perceber que nosso amor não é medido pela grandiosidade da festa, pelo tamanho do presente ou pelo quanto podemos gastar com ela. E sim conforme o quão significativo é comemorar de forma real, intensa e simples.

Afinal, o amor é simples e a presença é insubstituível.

Que em um futuro você possa se orgulhar do amor que recebeu e da força que tem desde que nasceu.

#cartasparaclarice

Um grande beijo,

Nat e Thi.

 

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