o que fazer no momento de birra

 como disciplinar

Imagine, no supermercado, seu filho lhe pede um determinado item que você como mãe e adulta acha melhor não comprar?! E naquele momento clássico que se não passamos ainda  iremos passar  em algum  momento,  a criança se joga, chora, grita e fica vermelha sem ar de tanta raiva?! Num primeiro instante temos vontade que se abra o chão e possa engolir essa criatura que apesar de ter saído de nós,  tem um comportamento abominável e totalmente contrário ao nosso desejo.

Talvez esse seja um sentimento de primeiro, segundo e terceiro momento. É como muitas de nós fomos educadas, no momento de birra uma palmada resolvia, nada que um “engole esse choro” não fizesse tudo voltar aparentemente ao normal ou ainda nada melhor que ser abandonada e ver nossa mãe se afastando para fazer a gente se levantar e sair correndo atrás dela com medo de viver “esqueceram de mim 10”.

É difícil que a gente consiga ter uma reação diferente da forma que muitas vezes fomos educadas, mas graças a Deus temos a capacidade de aprendizagem, reflexão e de mudança de comportamento. É preciso refletir sobre as nossas ações, e repense principalmente o que queremos causar em nossos filhos, que tipo de ser humanos queremos que sejam. O que queremos que aprendam nas situações de conflito, tristeza e raiva.

Eu, particularmente, desejo que a minha filha seja uma pessoa plena, feliz e equilibrada. Que consiga ter flexibilidade, resiliência, capacidade de adaptação e seja estável emocionalmente. Um termo muito usado ultimamente é resiliente. Ser capaz de sofrer um impacto e retornar a forma normal, e para isso é necessário experiências para aprender. Não nascemos capazes de lidar com problemas, obstáculos e frustrações, são as experiências que nos ensinam.

Esse momento de birra, na verdade é quando a criança nos mostra que não sabe lidar com aquela  determinada situação, ou ainda pode ser uma resposta ao stress e cansaço, então o emocional dela explode e nem a própria criança consegue se conter, não é proposital para nos irritar. Precisamos ter isso em mente. Ela está pedindo por ajuda,  esse é um  sinal de pedido de socorro emocional. A forma como lidamos com essa resposta da criança, é importante para construir sua bagagem de experiências e posicionamento frente a situações. Não considero birra (algo feito propositalmente para irritar o outro, um mero capricho). È uma imaturidade emocional.

Nós como pais, precisamos intervir neste momento, ensinar nossos filhos a se conectar com as emoções e ter um retorno positivo. Precisamos ensinar nossos filhos a construir habilidades de auto disciplina, ensinar a tomar decisões corretas. Na teoria é lindo e parece bem fácil. Mas, como fazer isso na prática? Como disciplinar na prática?

Nossa abordagem, poderá ser positiva ou poderá ser de comportamento típico, fazendo com que a “birra” desapareça. A abordagem correta é ajudar a construir habilidades de auto disciplina, não somos o agente externo que precisa conter essa criança. A própria criança  poderá aprender essas habilidades, do ponto de vista neurológico é puramente emocional e sabendo disso nós podemos fazer intervenções corretas. De nada adianta uma explicação racional para um momento emocional.

Então, nós adultos que precisamos ter uma mudança de comportamento.  No momento da birra, precisamos ser curiosos e descobrir o que causou esse comportamento.  Entender por que a criança usa da estratégia do choro ou do mau comportamento para se expressar e comunicar. Será que ela é vista só nesse momento? Será que ela é atendida somente nesse momento? Será que ela é ouvida somente tendo esse comportamento?

Para lidar com birra, é necessário pensar a longo prazo. Não é do dia para a noite que conseguiremos resultados efetivos.  É todo dia construído. A criança não quer nos desagradar, ou nos “tirar do sério”, crianças querem ser vistas, amadas, querem nos agradar, porque elas  tem no adulto referência de comportamento. Pense, quando você entra em um time onde todos sabem jogar muito bem, você quer também ser o melhor e aprender, mas precisa construir habilidades para isso, habilidades que chamamos de inteligência emocional.

Na hora da birra, se conecte emocionalmente com seu filho. Tente investigar porque está  tendo aquele comportamento. Se seu filho já faz uso da linguagem, pergunte, deixe ele se expressar e faça a intervenção com empatia e explicativa para o nível de compreensão da criança. Se seu filho ainda não fala, como a minha filha, mas se comunica, tente tirar o foco do problema e investigar se não é o cansaço e os stress que desencadeou a birra. Ou se simplesmente deseja a sua atenção. Jamais ignore seu filho.

Ajude seu filho a recontar histórias, incluindo a situação problema. Envolva seu filho e não se enfureça com ele, lembre: a birra não é para te provocar. No momento da fúria, tire a criança do ambiente, caminhe – irá ajudar a distrair e tirar o foco. Converse com seu filho que também sente raiva, tristeza, mas que irá passar. Ajude a nomear sentimentos e ter pensamentos que possam melhorar e mudar situações.  Use o momento de birra para se conectar com seu filho, ensinar empatia.

Iniciando a reflexão e mudanças de atitudes podemos ajudar nossos filhos e também melhorar o relacionamento de todas as pessoas dentro de casa. Precisamos ser comprometidos com o que queremos que nossos filhos sejam, adultos felizes.

Aqui em casa, vamos mudando aqui e a acolá.

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