maternidade real

maternidade real

Depois de ler diversos livros, diversos manuais de como ser a mãe perfeita ou idealizada, eu percebi que todo esse padrão era irreal. E é por isso que eu criei o blog, a gente precisa falar sobre como é ser uma mamãe fora de todo esse contexto. Vamos dividir experiências?

O dia das Mães está aí e venho dividir com vocês uma reflexão sobre a maternidade. Quando me descobri mãe eu não conhecia a realidade da maternidade. Aliás, eu achava que conhecia. Afinal,  lia tudo sobre maternidade, era só entrar no Google que encontrava informações sobre o que queria: “quando o umbigo do bebê cai”, “o que fazer no momento de cólica”, “como fazer o bebê dormir” e eu também era munida dos best sellers sobre como ser a melhor mãe, li “Encantadora de bebês”, “Crianças francesas não fazem birra”, “O que esperar quando você está esperando”. Não o bastante, eu também fiz curso de gestante, curso de amamentação, curso de introdução alimentar BLW. Eu conhecia essa maternidade idealizada e didática. Uma ótima mãe, até cair de cara na realidade.

Ano passado foi meu primeiro Dia das Mães, Clarice estava com 18 dias e tudo que eu sabia não adiantava de nada. Na teoria era tão fácil resolver a cólica, era só fazer um charutinho e balançar o bebê junto ao corpo. Migas, o fato: seu bebê está esperneando, você tenta fazer o charutinho, mas ele balança pernas e braços, você prende um braço, escapa o outro e de repente fazer uma coisa simples vira a terceira guerra mundial, é como amarrar um polvo com capacidade vocal de um tenor de ópera e 3 minutos parecem 3horas.

Para amamentar, no curso de gestante aprendi que o essencial é seu bebe fazer boquinha de peixe e abocanhar todo o mamilo. Se a pega for correta, o bico do seio não racha, o bebe não aspira ar e não tem cólicas. Na realidade, não consigo ver essa tal boquinha de peixe até hoje. O bebê pode pegar corretamente, mas o bico do seio fica sim sensibilizado com a sucção e contato constante, é como se ficasse assado, isso quando não sangra e racha.

Ah, a parte de se colocar rotina e horas da mamada era a parte mais fácil com certeza, conforme diz a encantadora de bebês. O dia seria perfeito, bebê dormindo, mãe descansando, despertou o relógio e é hora de dar mama, atividade e sono. Na minha realidade, quando eu acabava de colocar o bebê no berço já era hora de dar mama de novo. Meu único momento era quando ia ao banheiro e mesmo assim ia para não fazer xixi na roupa. Uma vez, eu fiquei tão apertada para ir ao banheiro, me segurei durante tanto tempo para não atrapalhar a mamada da Clarice que eu não consegui chegar ao banheiro, eu não conseguia andar porque minha bexiga estava cheia demais e travaram minhas pernas, conclusão, xixi na roupa.

Outra, eu tinha domínio da técnica para fazer bebês dormirem à noite (pelo menos na teoria), era só a partir das 18h00 diminuir as luzes da casa, diminuir o tom de voz, dar uma mamada reforçada e em sequência banho e o bebê naturalmente dormiria. E de verdade, para algumas pessoas com bebês de determinado perfil é possível que funcione essa técnica e teoria, mas para mim não. Eu começava a rotina às 18h00 e isso durava até a meia noite. Eu não jantava, não tomava banho, ficava lá no quarto tentando fazer a Clarice entrar nesse perfil de bebê encantando. Uma vez, isso durou a madrugada toda. Eu estava tão exausta que minha mãe me ajudava e colocava a Clarice para mamar e segurava ela no meu colo. Eu não tinha forças para segurar e dar o mama, não conseguia ficar acordada.

Eu era ótima mãe, aquela mãe perfeita até a Clarice nascer.  Eu era a mãe que sabe tudo, que não aceitava palpites e o que não sabia procurava no Google. Quando minha mãe falava algo eu dizia que havia aprendido diferente (detalhe minha mãe teve 3 filhas). Mas, meu bebê não era aquele das teorias, nenhum bebê é aquele da teoria, cada criança tem sua personalidade e seu jeito e não há manual que valha para todas. Não poderia dar certo um bebê de verdade com uma mãe da teoria. E não deu.

Demorei aceitar que não adiantava as teorias, demorei para encontrar meu jeito de maternar, demorei para encarar que precisava desconstruir tudo que sabia para fazer uma maternidade real. A maternidade real, é aceitar seu filho e se aceitar como mãe que pode ser. Lógico, que sempre queremos o melhor para nossos filhos. Mas, o melhor que se mostram por ai não é sinônimo de felicidade.  Acima de tudo, precisamos encontrar nosso próprio jeito de maternar.

Eu passei um bom período tentando ser uma mãe idealizada, uma mãe como de livros de maternidade, uma mãe que não existe, como se houvesse receita de bolo para ser mãe. Confesso, e com muita dificuldade que sacrifiquei ótimos momentos em prol de uma maternidade perfeita. E quando olhei pra mim, estava infeliz. Com uma maternidade perfeita, mas infeliz comigo, com os outros e com a vida.

E de repente no meio do caminho vi que estava tudo errado, vi que estava me torturando. Para ser uma boa mãe é preciso estar feliz, ser feliz. Olhei pra mim, me reconectei e mudei tudo! Parei de paranoias, de horários fixos, de não pode isso, de não pode aquilo. Resolvi curtir ser mãe e principalmente me aceitar.

Não posso fingir ser a Bela gil da comida se adoro comer um chocolate, uma fritura, um mac donalds. Não posso exigir que a minha filha seja o bebê prodígio fazendo atividades orientadas todos os dias, e aplicando o método Montessori em tudo. Não posso obrigar o pai ser o Papai pop do livro do Piangers se eu não dou espaço. Eu queria controlar tudo e todos.

Parei, simplesmente parei e resolvi aceitar a minha filha como é, resolvi aceitar eu como a mãe que posso ser. Larguei as paranoias, larguei as teorias e resolvi ser feliz. Resolvi cuidar de mim e cuidar do meu relacionamento com a minha filha e meu marido.

É isso que quero dividir com vocês. Não percam tempo tentando ser mãe perfeita ou sendo a melhor mãe do mundo. Não existe a melhor mãe ou a mãe perfeita. Existe a mãe real, a mãe de verdade.

A realidade é aceitar seus erros, suas verdades e suas possibilidades. Não se force a amamentar até seu filho se formar na faculdade se isso não te faz feliz,  não se force a fazer receitas sem gluten, sem lactose, sem leite e sem nada se isso não faz vocês felizes. Mãe, não force uma rotina que não combina com o estilo de vida de vocês. Mãe, retorne ao seu trabalho se isso te faz bem sem trauma, seu filho vai sobreviver a aquele lugar chamado escola, existem profissionais lá.

Neste dia das mães, bem acima do apelo comercial existente. Quero comemorar com vocês a maternidade real. Quero comemorar com vocês nossas verdades. E o melhor presente que podem se dar é se cuidarem, e justamente pelos bebês precisarem tanto de nós que precisamos estar bem psicologicamente e fisicamente. Não se descuidem, não coloque tudo na frente de vocês. No inicio sei que é difícil, mas tentem fazer o mínimo por vocês para aos poucos retornar a mulher que fica escondida nos pijamas, cabelos bagunçados e sutiãs de amamentação. Não somos somente mães, somos mulheres e não podemos esquecer isso.

O melhor presente do dia das mães é aceitação, resiliência e amor próprio. Vamos parar de viver essa maternidade idealizada, satisfeita e linda que se vende. Pois, acredito que justamente o extraordinário está no ordinário. Quer coisa mais linda do que beijar pé de bebê, quer alegria maior do que deitar com seu bebê na cama, quer maior alegria do que ouvir mamãe pela primeira vez, quer alegria mais simples do que aquela mãozinha encostada em você?

Migas, desejo feliz maternidade todos os dias seja você mãe de barriga, mãe do coração, mãe por vocação, mãe escolhida.

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