parto humanizado

Muito se fala sobre Doula e parto natural, mas afinal qual sua função na hora do parto e como essa profissional pode nos ajudar? Há muitas duvidas sobre a importância e profissionalização. Por isso, temos hoje uma Doula para falar sobre o assunto. É  a Tatiana Pereira, nossa nova parceira aqui do Blog! A Tatiana é fisioterapeuta  e tem muita experiencia no atendimento de Mães em Curitiba. O texto de hoje é de utilidade pública.

Doula é uma palavra grega que significa “mulher que serve”. Pode parecer uma ocupação nova, mas é uma figura antiga presente na cena do parto. Antigamente a mulheres mais experientes, juntamente com a parteira, ajudavam outras mulheres a parirem. Hoje a Doula é uma profissional que pode ter formação em qualquer área.

O curso geralmente tem duração de 32 horas, mas com a fundação da ADOUC (Associação das Doulas de Curitiba) existe uma motivação para cursos mais completos com experiência prática também. Por ser um curso relativamente curto, o processo de formação é contínuo, como em qualquer área profissional. O principal papel da Doula é dar apoio físico e emocional durante a gestação, parto e pós-parto. Para desmistificar a sua atuação, já que para muita gente a Doula se confunde com a “antiga parteira”, escrevi este texto para esclarecer o que ela faz em cada uma destas fases.

O que a doula faz na prática?

O acompanhamento começa durante a gestação. Cada Doula tem seu ”jeitinho” de trabalhar, no que diz respeito à forma de como os assuntos são abordados e o número de encontros. Mas o papel principal da Doula neste momento é informar o casal sobre todos os aspectos (físicos, emocionais e sociais) envolvidos no nascimento, trazendo informações baseadas em evidências científicas, para que os mesmos possam fazer escolhas conscientes. Bem informado, o casal está pronto para montar seu plano de parto, que é na verdade uma “lista desejos” discutida durante a gravidez com o profissional que assistirá o parto. O conhecimento também diminui a ansiedade do casal, pois algo imprevisível e desconhecido deixa de ser assustador a partir do momento que é aceito como um processo fisiológico do corpo da mulher.

Mais para o final da gestação, várias questões emocionais começam a surgir e a presença da Doula é essencial. A escuta da Doula associada à técnicas de relaxamento (como escalda pés, relaxamento induzido e respirações específicas) possibilita uma tranquilidade maior e permite com a que a gestante sinta-se preparada e confiante para encarar o desafio e esperar o dia do nascimento.  

No dia do parto, a gestante geralmente comunica a Doula e o profissional responsável sobre os primeiros sinais de trabalho de parto. Cada parto irá se desenrolar de uma forma única e cada família terá necessidades específicas. A atuação da Doula durante todo o parto é estar conectada e presente para identificar tais necessidades, algo que só é possível quando a Doula esquece o mundo externo e se entrega a esta mulher. Por esta razão, uma médica ou enfermeira não pode dar conta das duas funções. O posicionamento e a conduta da equipe técnica permitem que a Doula preocupe-se apenas com o bem estar da mãe, do pai e do bebê e esteja 100% em sintonia com o casal.  

Durante o trabalho de parto a Doula prepara o ambiente para que a mulher sinta-se o mais confortável e segura possível, já que desta forma a produção hormonal ocorre com mais facilidade, diminuindo o tempo do trabalho de parto. Essa preparação é feita de forma simples, como diminuir a luz, aquecer o local, sugerir posições e alternativas não farmacológicas que possam diminuir algum desconforto. Geralmente a bolsa da Doula é recheada de ferramentas que trazem conforto, tais como: bola, bolsa de água quente, óleos essenciais, creme para massagem, rebozo (tecido da vestimenta Mexicana usado para relaxamento) entre outras.  Confiante e confortável é só deixar o corpo agir.

Estar na presença do companheiro traz muita tranquilidade para mãe, tanto que desde 2005 existe uma lei no Brasil (Lei Nº 11.108) que assegura o direito de ser acompanhada durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto. A Doula não entra no lugar do acompanhante, bem pelo contrário, ela ajuda a inseri-lo na cena do parto, pois alguns podem sentir-se deslocados e com medo de atrapalhar.  

Logo após o nascimento, o apoio é no vínculo inicial com o bebê através da amamentação na primeira hora de vida. Já no pós-parto o suporte emocional é indispensável para o fortalecimento do vínculo mãe e bebê e o sucesso da amamentação.

O que a Doula não faz?

  • Nenhum procedimento técnico como: escutar o coração do bebê, aferir pressão da mãe, fazer toque vaginal, fazer diagnóstico, receitar remédios e etc;
  • Não toma nenhuma decisão pela gestante;
  • Não interfere na conduta da equipe técnica responsável pelo parto;
  • Não toma o lugar do acompanhante ou qualquer outro membro da família.

Quais os benefícios da atuação da Doula?

Em 1993 foi publicado um estudo (Klaus&Kennel, “MotheringtheMother”) que chegou aos seguintes resultados sobre a presença da Doula:

  • Redução de 50% nos índices de cesárias;
  • Redução de 25% da duração do trabalho de parto;
  • Redução de 40% no uso de fórceps;
  • Redução de 60% nos pedidos e 30% no uso de analgesia peridural;
  • Redução de 40% no uso de ocitocina.

Como escolher minha Doula?

Procure por indicações ou em grupos de apoio ao parto. Pense em quais são suas expectativas em relação a este acompanhamento. Conheça algumas profissionais até tomar a sua decisão, pois é preciso sentir-se bem a vontade e segura na presença de sua Doula.

Um Grande Beijo,

Tatiana Pereira

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