Sabe dizer quais são as características em relação ao neurodesenvolvimento envolvidas nesse diagnóstico?

Você já ouviu falar em autismo?

Se você respondeu NÃO para alguma das perguntas anteriores, acredito que este texto poderá te ajudar! Para falar sobre o assunto temos nossa parceira a psicologa Mariana Abuhamad, Mestre pela UFPR.

Atualmente, a nomenclatura Espectro surgiu para tentar abarcar a diversidade de manifestações comportamentais presentes entre as diferentes crianças e adultos com autismo. Dificilmente podemos comparar o desenvolvimento de uma criança com outra, mesmo que ambas possuam exatamente o mesmo diagnóstico. Porém, existe um consenso em que pessoas com Transtorno do Espectro Autista apresentam alterações em seu neurodesenvolvimento, que cursa com déficit na comunicação e interação social, padrões restritos e repetitivos de comportamento.

Como iniciamos a dizer, as manifestações desses comportamentos são bastante diversas, e com isso, a uma variabilidade significativa entre cada sujeito. Todavia, sabe-se que o diagnóstico precoce, possibilitará minimizara as características do transtorno e permitirá um prognóstico satisfatório do ponto de vista da socialização e comunicação, e aprendizado acadêmico.

Mas, como se manifestam essas dificuldades, atrasos ou alterações do neurodesenvolvimento em crianças com TEA?

Geralmente, desde antes do desenvolvimento da fala oral, já é possível observar algumas características relacionadas ao TEA. Durante essa fase pré-linguística, é comum que bebês com TEA não apresentem qualquer ato comunicativo ou apresentam de forma muito ineficiente e reduzida ao longo do neurodesenvolvimento, ocasionando dificuldades em reciprocidade das interações sociais por meio de atos comunicativos, tais como: gestos, brincadeiras simbólicas, apontar, compartilhar interesses de ações ou objetos, ficando muitas vezes atípicos dentro de um padrão de desenvolvimento.

Também é comum e este é um dos sinais que tendem a chamar muito a atenção de pais, que a criança parece não ouvir ao ser chamada, não olham para o interlocutor ou mesmo se apresentam alheias ao que está acontecendo a sua volta.

De acordo com o manual de classificação dos transtornos mentais (DSM – IV), existem alguns especificadores de gravidade para o diagnóstico do TEA, sendo que o nível de gravidade pode variar de acordo com o contexto e oscilar com o tempo:

Nível 1 (Exige Apoio): existe aqui um prejuízo na comunicação social e dificuldades para utilizar o recurso social para interagir ou manter uma ação comunicativa. Também estão presentes dificuldades em trocar de atividade e dificuldades de planejamento e organização.

Nível 2 Exige Apoio Substancial): Está presente dificuldade de comunicação verbal e não verbal e uma inflexibilidade no comportamento, com dificuldades em lidar com mudanças ou outros comportamentos restritos e repetitivos.

Nível 3 (Exige Apoio Muito Substancial): há dificuldades graves na comunicação verbal e não verbal e dificuldades também graves em dar início ou manter uma interação social, bem como extrema dificuldade em aceitar mudanças, comportamentos restritos e repetitivos.

Alguns outros sinais precoces e não menos importantes podem indicar o quadro de TEA ao longo do desenvolvimento das crianças. Como forma de facilitar a compreensão eles serão expostos em tabelas comparativas entre crianças típicas e crianças com TEA. É importante salientar que o desenvolvimento infantil segue uma ordem processual e cronológica, ou seja, existe um padrão esperado sobre como e quando alguns comportamentos relacionados a cada faixa etária devem ocorrer.

*Baseado em Bello e Machado ( 2016).

Com isso, é possível concluir que as maiores dificuldades das crianças com TEA está justamente na atenção compartilhada, na imitação e simbolização, no brincar socialmente e nos atos comunicativos. Por isso, a sugestão é, na presença de qualquer dúvida em relação ao desenvolvimento de seu filho, recorra a um profissional e, muitas vezes, a mais de um profissional, para que tais alterações possam ser acompanhadas. Pois, como já foi dito acima, a intervenção precoce, apesar de não oferecerer cura, pode minimizar e MUITO o sofrimento futuro de sua criança, através da estimulação precoce de comportamentos ainda não desenvolvidos ou subdesenvolvidos.

Beijos,

Mariana Abuhamad

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