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Mãe de propaganda de margarina. Pode parecer, mas não sou dessas

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amamentação

Uma coisa que tem chamado bastante a minha atenção nas redes sociais, são tantas fotos lindas de mães e filhos  estilo Revista Caras, com frases filosóficas engrandecendo a maternidade, grandes feitos maternos, casas arrumadas e comida super elaborada que eu levaria a manhã toda para fazer. Eu paro e penso: onde eme encaixo nisso? Alôw?! Que mundo é esse? Me leva pra lá?

Porque aqui no dia a dia eu não tenho tempo de fazer uma make pra sair linda nas fotos ou pelo menos, dignamente, numa selfie. Cara de descansada, então? Esqueça!

Aqui em casa o cabelo é amarrado, almoço do jeito que dá, roupas para passar e levar, compras de supermercado precisando ser feitas, brinquedos espalhados, coisas por fazer pela casa…

Uma casa, por si só, já exige de nós, imagina uma casa com dois cachorros, um bebê e um marido? É uma loucura! Eu me viro em mil para dar conta de tudo e ainda as coisas não ficam 100%.

E ainda sou obrigada a ouvir:

“Mas você fica em casa o dia inteiro e está cansada?” Não estou cansada, estou exausta!

Neste momento estou de pijama, e são 13h. Mal consegui almoçar, fiz isso enquanto dava comida para o bebê. E já sabem como é, né?! Agora o bebê está dormindo e eu aqui escrevendo para os pensamentos não irem embora na próxima mamada. Mas nem todos os dias são assim, hoje, em especial, o bebê exigiu bastante atenção, porque dormiu um pouco pior do que nas noites anteriores. O tal do dente resolveu aparecer.

Caraaaa, que maternidade perfeita é essa que idealizaram pra nós, mães  normais. Após 40 dias que seu bebê nasce, você precisa estar com o corpo lindo! Se não lindo, precisa pelo menos ter perdido os quilos extras que a gravidez trouxe. “Ahhhh, mas aquelas famosas conseguiram! E você ainda não conseguiu porque come demais, amamenta de menos, ou fica muito tempo sem fazer nada!”  Pior ainda, “seu corpo não voltou ao normal porque é preguiçosa! Não tem a força de vontade que a ciclana famosa tem de malhar 30 dias após ter bebê”.

E segue a maternidade irreal exigindo mães idealizadas! Aiii se você não teve parto normal ou não amamentou, é uma péssima mãe que não pensou na saúde do seu filho!

E as palpiteiras sempre de plantão na vida da mãe: “essa criança é mimada porque fica muito no colo”. “Coloque sua filha na escola, vai ver como ficará esperta”. “Dê mucilon à noite que sua filha vai dormir a noite toda”. “Você da muito peito, toda hora que ela pede você da mama”. “Você precisa dar um irmão pra ela aprender a dividir”, e por ai vai…

Além de ser mãe, nós precisamos entender de todas as áreas um pouco. Precisamos ser enfermeiras, psicólogas, nutricionistas, pedagogas… “Ah, mãezinha você tá por fora se não entende o que é APLV, BLW, método montessoriano, pedagogia waldorf, pedagogia pikler, sling, shantala, slow parenting…”

Para a mãe perfeita a introdução alimentar aceita somente se for BLW, orgânica e sem açúcar. Se você oferecer papinha da Nestlé, o seu filho está fadado a doenças terminais e intelectuais. A mãe coitada precisa ter lido algum livro de alguma especialista famosa sobre criação de filhos para ser digna de educar sua cria.

Não esqueça que também é proibido ver televisão, ipad ou celular. Galinha pintadinha então é a morte cerebral do seu filho! Se seu bebê demorar para sorrir, rolar, andar e caminhar é porque não foi estimulado o bastante pela mãe. Se demorar pra sair das fraldas, “nossaaa como essa mulher é  preguiçosa”. Se colocar o bebê para dormir sob coberta no chão do aeroporto, então! Vira alvo das críticas.

Não estou colocando em questão se essas coisas de fato são boas ou ruins, a questão é a ideologia de mãe perfeita que nos massacra; basta fazer de outra forma que somos crucificadas como mães ruins. Há um perfil de mãe perfeita e idealizada que todas devem seguir para serem aprovadas no quesito boa mãe do ano.

De qualquer lado as mães são focos de críticas, desde quando se passou a não acreditar no potencial “instinto de mãe”? Desde quando o vizinho que nem se quer tem filhos sabe o que é melhor para o seu filho em vez de você? Desde quando nós mulheres somos incapazes de saber criar filhos?

Há um manual do que, teoricamente, é ser uma mãe boa e exemplar. E as mães que não cumprem a cartilha de mãe-da-propaganda-de-margarina sentem culpa. Eu, pelo menos, caí nessa quando tive minha filha por cesárea, e me senti culpada por não ter feito parto normal. Ser mãe, em si, já é se sentir culpada. Nos culpamos porque sempre achamos que dá para fazer melhor, nos sentimos culpadas por uma gripe, uma infecção, por um intestino preso. Não é necessário que a sociedade cobre mais de nós, é necessário que as mães sejam apoiadas. É importante que as mães sejam parceiras.

Cada mãe é capaz de saber o que é melhor pra si e para seus filhos, e a medida da régua de boa mãe não serve para todas, cada uma tem a sua realidade, suas vontades, expectativas e particulariedades. Eu já entendi isso e torço para que você também! Ser mãe é querer o melhor para seu filho e para si! Cada mãe faz o que está dentro de suas possibilidades. Cada mãe é a melhor mãe que pode ser.

Vamos esquecer essa perfeição de criação de filhos?! Tenho a impressão de que existe uma maior preocupação em ser aprovada pela sociedade como mãe modelo do que em realmente ser feliz com seu filho. Momentos realmente felizes não são fotografados e nem colocados na internet. Quando você está em uma situação de felicidade você diz: “Pausa nos sorrisos, vou  fotografar!” Não há tempo para isso.

A pergunta é: por quê, então, compramos esses ideais de boa mãe de propaganda? Seguimos vidas que não são nossas? Talvez porque queremos acreditar que a maternidade é a continuação do conto de fadas. Nossa vida pode não ser igual a das famosas, mas pode chegar perto disso um pouquinho quando acompanhamos a vida delas. Acredite, pode ser frustrante isso.

A vida real tal como é, não tem adornos, melhor ângulo, música de fundo e nem modeletes. É simples e tem criança suja de comida, mãe descabelada, casa bagunçada. Pelo menos aqui em casa é assim. E a vida é maravilhosa assim, tal como é, de verdade cheia de risada, abraço, beijos, sentindo na carne e na alma os prazeres e desprazeres da maternidade.

Um milagre, ser mulher e mãe.

E na sua casa, como você é mamãe?

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