Mãe pode reclamar, sim!

Sonhei em ser mãe e planejei a maternidade. Achei que seria aquela mãe bonita, feliz, paciente, perdendo peso, amamentando com aquela cara de realização, cabelos sedosos e unhas feitas, mas de repente depois que o bebê nasceu a realidade não foi e não é bem assim, tudo mudou. Literalmente tudo! Ontem vi a reportagem da Rafa Brites, jornalista e apresentadora da Globo falando sobre como se sentia nos primeiros 5 dias de maternidade, que mesmo com todo apoio familiar e aparato que o dinheiro pode dar, estava sendo devastador esse início da maternidade. E pensei, porque apesar de todas as informações da internet, blogs, livros e revistas não estamos preparadas para o que vem junto com o bebê quando nasce? Porque essa maternidade idealizada esta tão arraigada na nossa mente? Porque temos que sentir vergonha de reclamar da maternidade, como se isso significasse não amar nosso filho? Ou que não temos o direito de reclamar, uma vez que escolhemos ter filho.

Minha geração, e acredito que da Jornalista e de tantas outras mulheres não foram criadas para serem mães, mas sim profissionais competentes e de sucesso. Não foram criadas para cuidar de casa e dos seus afazeres, foram criadas para estudar e mais tarde competir no mercado de trabalho. Além disso, houve um mudança nas famílias, que antes eram cheias de crianças, primos pequenos, sobrinhos e irmãos. Muitas de nós não teve a experiência de ver outras crianças pequenas sendo criadas ou de conviver com bebês e com suas mães reais. Comigo pelo menos, foi assim.

De repente a maternidade para nós é somente informação no Google ou o que as amigas nos relatam (a parte boa). E agora como mães, sabemos que apesar de ter acesso a todas as informações que o Google pode nos dar e livros de encantadoras de bebês, nada se compara a verdadeira experiência sentida na carne. E o fato de reclamar, de se sentir cansada exausta, ou de chorar, não significa que somos menos mães ou que não temos “tino” pro negócio. Significa que a mudança está doendo, significa que estamos aprendendo a nos encontrar nesse novo cenário, antes existente somente na ideia, na informação do Google, nos blogs, nas amigas mães e nas famosas da revista. Independente da realidade financeira, do apoio familiar ou da formação educacional, se tornar mãe dói e não precisamos nos sentir culpadas por não estar vivendo o sonho lindo da maternidade vendido por aí.

Há um movimento de maternidade real tentando desmistificar essa maternidade idealizada que precisa ganhar força, pois somos mães de verdade, e não precisamos estar o tempo todo realizadas, lindas e contentes, porque meu povo, ninguém é assim em circunstância nenhuma. Posso amar meu trabalho, mas tem dias que estou de “saco cheio”. Todas nós podemos amar e desejar passar a vida ao lado do nosso companheiro, mas também queremos distância de vez em quando. Podemos nos amar e ter dias que nem no espelho queremos nos olhar.

Mãe pode reclamar, sim!

A vida real é assim, com altos e baixos com a alegria e a tristeza morando lado a lado. Do que seria a felicidade se não houvesse a desventura? Como daríamos valor a aquele momento de riso solto, se não conhecêssemos o choro?

Vamos ter a habilidade de se imaginar no lugar de outra pessoa, compreender os sentimentos, desejos, ideias e ações de outrem. Vamos fazer esse exercício antes de julgar. Vamos aceitar que ser mãe não é se tornar um ser divino capaz de proezas, milagres e perfeição. Podemos reclamar sim da maternidade e isso não nos torna menos MÃE.

A maternidade é um período de grandes mudanças, e como qualquer mudança significa jogar coisas fora e aceitar novas. Se já me encontrei nessa mudança? Estou nesse processo, me descobrindo, me conhecendo, dispensando o que não nos faz bem e aceitando de bom grado o que a vida tem me dado.

Eu reclamo sim e sou a mãe que posso ser.

E você? Já se encontrou? Como está sendo esse processo da maternidade?

Você também pode gostar destes posts

Read More