Experiências

Mãe tempo integral, fora ou dentro de casa.

Mãe tempo integral fora ou dentro de casa

Mãe tempo integral fora ou dentro de casa

Logo eu! Pois é, decidi não trabalhar fora para cuidar da minha filha em casa. Nunca havia me visto como mãe e não desejava ser mãe até os 29 anos. Minha vida era focada no trabalho.Eu e meu marido sempre focados em melhorar de vida e nos estabilizar financeiramente. Nunca passou pela minha cabeça deixar de trabalhar, eu era o meu trabalho.

Inclusive grávida, meu pensamento era voltar a trabalhar depois de 6 meses. Mas, aí veio a Clarice e uma enxurrada de sentimentos e de ensinamentos. O trabalho não tinha mais espaço na minha vida. Eu não era mais o trabalho, era mãe. Não conseguia me ver trabalhando fora de casa e outra pessoa cuidando da Clari. Tive medo de perder seus primeiros passinhos, seu primeiro riso, seu primeiro tombo, suas primeiras palavras. Fui absorvida pelo medo de perder algo tão rápido como é o crescer de um filho.Quando que eles deixam de ser bebês e de repente viram crianças, se transformam em adolescentes e em um piscar de olhos,adultos? Eu não queria perder isso.

Tive a oportunidade de escolher e assim de comum acordo com o Thiago eu ficaria cuidando da Clari, sem trabalhar fora de casa. Mas, penso quantas mães desejam o mesmo e não podem fazer essa escolha. Realmente, deve ser muito difícil e admiro as mães que precisam fazer das tripas coração para trabalhar fora e as que escolhem por inúmeros motivos.

Não critico quem escolheu ou foi obrigada a trabalhar, de forma alguma. Cada mãe é única e com certeza ama sua cria e planeja o melhor para ela, mães que trabalham fora dão ótimo exemplo para seus filhos, mostrando que mulher pode ser mãe e ter carreira profissional, mostram esforço, dedicação  e não deixam de ser mãe quando estão no trabalho, mãe é mãe 24hrs. Cada pessoa tem seus desejos, seus sonhos, suas expectativas e suas convicções. A decisão certa é aquela visando o bem estar de todos da família e não somente o da criança. A questão é não sentir culpa das suas escolhas e escolher trabalhar fora ou escolher trabalhar em casa cuidando do filho não torna ninguém melhor mãe. Somos mães todo o tempo, independente se optamos por trabalhar fora de casa ou trabalhar em casa. Uma mulher não deixa de ser mãe ao ir trabalhar e estudar.

Sinceramente, também não é um mar de rosas decidir ficar/trabalhar em casa com o bebê. É um misto de sensações, de bem estar por saber que nossa filha está bem cuidada no seio familiar e de angústia, com medo de me perder nesse processo. Sim, por um período me senti sem identidade. Perguntava o que havia me tornado. Será que era isso mesmo o que  queria ou estava seguindo ideais de como ser uma mãe perfeita? Devo me preocupar apenas com o bem estar da minha filha? E o meu bem estar? Será que estou me anulando? Será que esse é o caminho certo? O que a mulher Natalie desejava?

Então, usei do melhor remédio que existe: o tempo. Deixei as emoções fluírem, esperei a poeira abaixar e me permiti pensar livremente sem preconceitos, sem julgamentos e sem meus conceitos pré estabelecidos. Se quisesse voltar a trabalhar, continuaria sim sendo boa mãe! E se quisesse ser exclusivamente mãe, também não teria problema, eu ainda seria a Natalie.

Com o passar dos meses, estou me encontrando e me conhecendo novamente. Sinto que sem querer caminhei minha vida toda para curtir este momento. É como se de repente descobrisse um outro eu, que sempre quis ser mãe. É um sentimento tão profundo que percebi que não existe isso de me perder de mim. Na verdade, nunca fui tão eu na vida. O que eu tenho hoje é real e único e escolhemos não terceirizar a fase inicial da vida da Clari.

Como tudo na vida, qualquer decisão tem seus prós e contras e significa sempre optar por algo e abrir mão de outras coisas. Apesar de achar que foi a melhor decisão para nossa família, ouço muitas criticas: “Somente mãe?” “Você não trabalha?” “Abriu mão da sua vida para cuidar da Clari?” “Só pensa na sua filha e você não existe?” “Sua filha vai perder o convívio com outras crianças!” “Sua filha vai ficar defasada na escola!” “Ih, sua filha vai ficar mimada ficando somente em casa!” “Você não tem vida, vive em função da sua filha”… e por aí vai.

Vivemos um período onde ser mãe em tempo integral é algo pejorativo, significado de que sua vida não irá mais progredir, como se deixasse de ter valor, não soubesse de nada mais da vida a não ser assuntos banais como clima e o preço das fraldas. Quando, muito pelo contrário, ganhamos um mundo intenso e cheio de significado. Um dia a dia com novidades e muito mais aprendizado do que quando não era mãe.

Sou a melhor mãe que posso ser. Somos os melhores pais que podemos ser e agimos de acordo com as nossas convicções e oportunidades. Nossa convicção aqui em casa é de que o seio familiar é mais importante neste estágio inicial da vida e se o podemos garantir, assim o faremos.

Quando a Clari vai para a escola? Até quando não irei trabalhar fora de casa? Quando chegar o nosso momento e isso, mamães e papais que me acompanham, somente o tempo dirá.

E na sua casa, qual foi a escolha?

 

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