Você esta grávida e pensa em ter parto normal? Parto Humanizado? Você já teve cesárea e acha que é inviável parto normal? É possível sim!

Hoje temos o relato de uma amiga especial  que chamo carinhosamente de Chris. Tive a oportunidade de conhecer sua historia e me apaixonei pela força e determinação dessa mulher para conseguir o desejado parto normal após a cesárea do primeiro filho

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Toda mulher tem direito em escolher seu tipo de parto e ser atendida dignamente.

Sobre o parto:

Foi difícil, dolorido, mas intenso e maravilhoso.

 As 7:30 da manhã do dia 13/06/2016 começaram as contrações em casa. Fiquei quietinha curtindo o momento e concentrada na respiração. Era o dia que meu menino estava pronto para vir ao mundo, que alegria! A cada contração eu me curvava à frente e respirava fundo.

 Algumas vezes me encolhia e outra me acocorava. Meu filho mais velho almoçou, foi para escola e meu marido ficava do meu lado na cama e às vezes saía do quarto para me deixar mais à vontade. Almocei uma sopa e tomei um suco de laranja. As 14h00 rompeu a bolsa e ficaram intensas e continuas as contrações. Fomos para o hospital. Estava com 4 pra 5cm de dilatação. A chegada ao hospital me desestabilizou de certa forma emocionalmente, pois tive que racionalizar enquanto em casa estava muito introspectiva curtindo o meu momento. Exame com plantonista, aguardar a liberação do quarto na recepção depois da ficha e ter que trocar de quarto me deixou nervosa. No quarto, não conseguia me acomodar em nenhuma posição. Tomei um banho e a bolsa vazando líquido me desconfortava. Quando o Dr. Alvaro chegou eu estava com 6 cm de dilatação, e no meu limite já. Ali eu descobri o que era a “partolândia” e o que representava uma fêmea parindo sua cria. Tive a sensação que iria desmaiar o que me remeteu episódios que tive durante anos da adolescência. Isso me desestabilizou um pouco emocionalmente. Pedi cesárea e nessa hora o meu marido Ronaldo, a Tati (Doula) e o Doutor me acalmaram.

Falei pra a Doula que não daria conta dessa emoção e ela foi incisiva dizendo que eu tinha que enfrentar. Isso foi fundamental no processo. O Dr. Álvaro, com toda paz e serenidade que transmite, pegou no meu braço e disse: querida, você lutou e se informou tanto para ter esse parto que não deve desistir. Respire fundo, fique calma, que eu já volto.

Meu marido também foi muito importante, ele me disse: você vai conseguir, porque você é forte e você quer muito, não desista senão você vai se arrepender. Estou do seu lado. As contrações já estavam de 3 em 3 min durando 40 segundos e muito intensas. Não conseguia me acomodar em nenhuma posição. Tomei banho novamente.  Fazia alguns balanços girando o quadril e me curvando pra frente. Respirava fundo, mas tinha horas que não conseguia.

Nesse momento pedi analgesia, era o choro da alma pedindo consolo. Não me arrependo. Fechei os olhos e me encontrei comigo mesma, era o meu momento e do meu bebê. Falei para o Luigi que eu estava pronta para recebê-lo e que estávamos juntos! Me acalmei  e então chegaram o trio (marido, Doula e Obstetra). Comecei a treinar a força, sem sentir muito. A Doula me orientava de como fazer. Já estava com 10cm de dilatação. O Doutor escureceu o CO e eu ficava vendo a cidade anoitecendo pelo vidro escuro de uma grande janela, era uma sensação incrível.

Quando voltou a sensibilidade das pernas comecei a me movimentar e fazer força. Várias posições diferentes. Sentada no banquinho, de cócoras, deitada de lado. A energia daquele ambiente era incrível, uma sensação de paz e superação me inundava. Voltaram as contrações à mil. Ali respirei fundo e pensei: eu vou conseguir. O  Dr. Álvaro sugeriu 1% de ocitocina para ajudar, pois o bebê ainda estava alto. Ele colocava minha mão para que eu sentisse a cabecinha do Luigi. Em breve eu receberia meu bem precioso. Meu marido, emocionado, me dizia: força, querida, o Luigi vai nascer! Estou vendo a cabecinha! Ele estava muito feliz e me encorajou muito. Fiz algumas forças e logo recebi o Luigi nos braços em uma única contração. Isso já era 20h29. Foi muito emocionante! Nunca esquecerei a sensação!

Eu tinha parido, meu bebê, tinha nascido saudável e eu CONSEGUI!

Realizei o meu sonho! Foi muita emoção, vomitei em seguida e depois desmaiei. Naquele momento eu podia me permitir. Perdi muito sangue. Voltei a me sentir bem só quando cheguei no quarto e já começaram com ferro na veia. O Dr.Álvaro e a anestesista me tranquilizaram. O Ronaldo (papai) acompanhou o bebê, que nasceu muito bem, não tomou banho, nem recebeu colírio nem foi aspirado. 

O vínculo mãe e bebê foram impressionantes. Já amei meu bebê imensamente no primeiro momento que o vi, apesar de não ter forças físicas para segurá-lo. O Ronaldo (papai) que o fez. Sentia que ele era meu, minha cria, parte de mim.

No segundo dia  após o nascimento o Luigi já pegou bem o seio e já estava mamando. Eu já tinha o leite de transição. Em casa,  me senti em paz e  imensa gratidão!

Após uns dias em casa, expeli um coágulo de sangue. Senti que meu parto terminou ali, minha alma estava lavada e eu pus pra fora tudo o que estava me incomodando. Coisas que talvez Freud explique. Depois disso passou tudo. Apesar de ainda um pouco sensível já me sentia pronta pra plantar uma bananeira. Livre, leve e solta! De peito aberto e muito Feliz! Com minha cria nos braços e seios jorrando leite para alimentá-lo com o que há de melhor!

Gratidão eterna por esse momento!

Em resumo: Valeu! Não foi fácil, mas eu consegui. As intervenções que tive foram necessárias e me ajudaram a conseguir parir. Confesso que não tem como não se transformar após esse processo, ainda estou avaliando a situação. Foi um momento só meu e de encontro e entendimento.  Hoje me sinto muito bem, amei meu filho no primeiro momento em que o vi, senti a fúria da fera selvagem que habita o meu feminino e descobri que posso tudo que eu quiser, porque eu sou uma mulher e Sagrada.

Fiquei alguns dias meio em estado de choque e até hoje estou avaliando. Foi a maior dor da minha vida e acredita que tenho saudades? Fico lembrando toda hora com carinho. Hoje conclui que o que me atrapalhou foi o fato de que eu não tinha certeza se conseguiria. Não tinha confiança em mim mesma. Por mais que eu tenha  me preparado, tinha lá no fundo uma dúvida. Mas, hoje eu sei que consigo tudo o que eu quero. Talvez se eu tivesse mais um parto seria muito mais fácil.

Se tivesse feito a cesárea eu estaria muito frustrada e sou imensamente grata ao apoio que recebi do Ronaldo, da Doula e do médico que me fizeram acreditar que eu conseguiria.

Christine Valente Kunze Bohnenstengel

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