Como a depressão materna afeta o bebê? Sabemos da forte relação entre mãe e filho,  uma simbiose que permanece por pelo menos durante todo o primeiro ano de vida. Não há duvidas de que o bebê expressa aquilo que sente e absorve essa tristeza materna. Mas, o que fazer? E como ajudar essa mãe e bebê? Para responder essas perguntar contamos com a ajuda da Mariana Abuhamad.

“Paula, mãe de primeira viagem, havia acabado de ser diagnosticada com depressão pós-parto. Seu médico garantiu que haveria uma boa chance dela responder aos antidepressivos que lhe fora prescrito, juntamente com a psicoterapia que lhe fora recomendada. Contudo, Paula estava preocupada sobre como a sua depressão poderia afetar o desenvolvimento do seu bebê de apenas 1 mês.”

O que o terapeuta poderia ter dito à Paula?

O terapeuta encorajou Paula a participar de um programa de treinamento visando ajudar mulheres deprimidas a reconhecer como sua doença estava afetando seus comportamentos como mãe.

Mas, Paula pensou: “Quais são os comportamentos esperados para uma mãe, afinal esta é a minha primeira experiência e eu já nem sei mais quem sou eu?”

Porém, Paula foi ao grupo. Ela estava certa em preocupar-se com os efeitos de sua própria depressão sobre o desenvolvimento do bebê.

Em primeiro lugar, uma das características de pessoas que sofrem depressão é a exibição de expressões faciais tristes, mesmo em situações nas quais se sentem felizes. E, os bebês usam as expressões faciais dos pais para guia-los na expressão de suas próprias emoções.

Portanto, quais são os efeitos sobre os bebês de interações diárias com uma mãe deprimida?

Os pesquisadores em desenvolvimento infantil verificaram que bebês que interagem regularmente com mães deprimidas expressam mais emoções negativas e menos positivas. Eles sorriem menos, mostram mais expressões faciais tristes e irritadas, e são mais desorganizados e angustiados (Dawson, Panagiotides, Kinger e Spieker, 1997).

Alguns achados, porém, sugerem que a relação entre depressão materna e depressão do bebê pode derivar de exposição pré-natal aos aspectos bioquímicos do estado emocional de suas mães. Além disso, estudos mostraram que os hormônios relacionados ao estresse e depressão são passados da mãe para o bebê no período pré-natal ou por meio da amamentação (Hart, 2004).

Seja a ligação entre depressão materna e depressão do bebê derivada da capacidade dos bebês de perceber expressão facial, seja de natureza bioquímica, parece claro que os comportamentos maternos também são importantes. Bebês cujas mães deprimidas exibem comportamentos maternos sensíveis têm menos probabilidade de exibis efeitos negativos de longo prazo. Em outras palavras, quando mães deprimidas exibem os mesmos tipos de comportamentos maternos que a maioria das mães não deprimidas, seu estado emocional não parece ter efeitos negativos sobre o desenvolvimento de seus bebês.

Por esta razão, é indicado às mães, com diagnóstico de depressão pós-parto, que busquem pelo profissional que poderá auxiliá-las, através do treinamento parental adequado, um caminho no qual os possíveis efeitos negativos da depressão possam ser moderados. O treinamento poderá aumentar a frequência de comportamentos sensíveis em mães deprimidas.    

Grande beijo

Mariana

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