Porque os 2 anos da criança é chamado de Terrible two? Ou Terríveis Dois anos?

Ao se aproximar dos 2 anos de idade ou os 3 anos, acontece uma fase do desenvolvimento da criança mais conhecido como Terrible Two (terríveis 2) ou como adolescência do bebê.

Acho um tanto cruel chamar essa fase do desenvolvimento de terrível, pois é uma fase muito importante para a construção da identidade da criança. Como qualquer fase da vida tem seus pontos positivos e negativos, a compreensão deste momento da vida da criança pode auxiliar e também facilitar o relacionamento entre pais e filhos

A adolescência do bebê

Aquele seu bebê tranquilo, obediente, que aceitava comandos sem pestanejar, não fazia escândalo, de repente desapareceu e no lugar veio um bebê que para tudo diz: NÃO, ou diz É MEU! Muitas vezes diz não para coisas que quer e gosta,  o importante é fazer prevalecer a vontade dele.

Não aceita mais qualquer roupa, escolhe o próprio calçado e brinquedos. No começo até podíamos achar engraçadinho, mas agora parece que a primeira palavra que sai da boca é não. Muitas vezes você nem terminou de falar e a criança já está balançando a cabeça.

A partir de 18 meses até mais ou menos 6 anos de idade, a criança passa por uma fase de oposição a tudo que é proposto e ficam menos cooperativas. Para cada criança acontece em uma intensidade, mas todas passam por essa fase de descoberta de si.

Mas, o que está por trás desse comportamento?

O comportamento do bebê começa a mudar quando começa a perceber que ele e a mãe não são a mesma pessoa. É uma enorme mudança psíquica somada ao desenvolvimento da linguagem e desenvolvimento físico. A criança começa a se perceber independente, mas ao mesmo tempo ainda precisa de ajuda para muitas outras coisas. O fato de começar a andar, se comunicar e explorar, torna o bebê um pequeno explorador, procurando pela independência.

Somente construímos o nosso eu com o outro, e para a criança construir a si precisa muitas vezes negar a quem imita e admira. Por isso muitas vezes a criança tem um comportamento opositor.

Ao entendermos o que está por trás do comportamento, percebemos que o termo Terrible Two é equivocado, uma vez que nós adultos não entendemos as necessidades dessa criança que procura sua identidade e liberdade.

Importante entender a necessidade da criança

A criança ao mesmo tempo que procura liberdade não possui maturidade para lidar com seus conflitos e situações vividas. É nesse momento que temos papel principal como guias. Nossa intervenção é essencial para a criança começar a compreender o mundo a sua volta, as regras e como pode se expressar da melhor forma.

Muitas vezes quando a criança se joga no chão, chora, se agride ou agride outros, é uma resposta a própria falta de habilidade para se comunicar e expressar  frustração.

Nossa resposta a esses comportamentos é o que vai ensiná-la como o mundo funciona. Se agredirmos, ela entenderá que com agressão ela pode resolver conflitos. Se a acolhermos ela entenderá que a melhor forma para resolver problemas é com empatia.

É importante colocar regras e limites, sempre respeitando a criança, sua individualidade e suas limitações. O cérebro da criança se desenvolve rapidamente nos primeiros anos de vida, e constrói mais sinapses do que em qualquer outra fase. A criança esta absorvendo tudo a sua volta e compreendendo como o mundo funciona, tudo para as crianças é intenso.

Tem um post no blog sobre como dizer não aos nossos filhos, clique aqui.

Lembre, quantas vezes você precisou repetir algo para aprender. Assim, é a criança. Precisamos repetir e repetir e fazer novamente para a criança aprender, praticando empatia, respeito e acolhimento podemos passar por essa fase sem ser terrível.

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Tá, mas o que fazer?

Temos algumas dicas para te ajudar a passar por essa fase do desenvolvimento da criança.

  • Para tudo que digo a criança diz não, até para coisas que deseja.

Se coloque no lugar da criança, como você reage quando tudo é imposto a você? O que vai comer, quando vai comer, onde vai comer, o que vai vestir, quando vestir, a hora do banho. Um tanto frustrado por não ter controle da sua vida, não é? Qual seria a sua reação? De negação, para ter sua individualidade respeitada. Pois é, mas você é um adulto e supostamente sabe o que é melhor para você. Apesar de não ser adulto, a criança quer ser respeitada como indivíduo com vontades próprias. Experimente em vez de impor, perguntar algumas coisas durante o dia, para que a criança sinta-se participando, inclusive dê oportunidade para que o não seja respeitado. Sim, mas tem coisas que não são negociáveis e para essas limite as escolhas. Por exemplo: para você é importante que a criança vista determinado casaco. Pergunte se a criança deseja que você ou o papai a vista. Se ela dizer ainda que não deseja nenhum dos dois. Converse que a pergunta não é essa, ela irá colocar o casaco mas, pode decidir se precisa de ajuda ou não. Questione se deseja comer com talher rosa ou verde. Dessa forma a criança se sentirá importante e considerada nas questões relativas a sua vida. Valorize a independência do seu filho.

  • Dificuldade de seguir a rotina do sono

Chegou a noite e a criança não quer dormir, não quer tomar banho. Ela quer decidir sobre como será a hora de dormir. Neste caso, é essencial que haja conversa com a criança para entender a importância dos combinados. Faça um combinado em cartaz para que ela visualize qual deve ser a rotina e ela poderá tentar cumprir junto com você. Pode ser um caminho do tesouro, onde a cada tarefa cumprida durante o dia se aproxima do tesouro que é ter um dia super legal. No fim do dia converse com a criança que conseguiram juntos atingir as metas e chegar no topo do dia legal!

  • A criança se joga no chão e faz birra

Quando seu filho fizer isso evite agressão física, eu sei, é difícil! Mantenha a calma e não faça nada até a criança terminar. Só interfira se a criança for agredir a si aos outros. Faça contenção física. Quando a criança se acalmar, retire do ambiente e converse. Para conversar abaixe-se na altura da criança e olhe nos olhos dela e fale com firmeza sobre o comportamento equivocado. Não utilize muitas palavras, pois a criança irá dispersar a atenção. Use palavras chaves e no afirmativo.

  • Faça combinados com a criança

Conforme a necessidade da família, faça combinados. Podem ser simples de como o almoço acontece e a tarefa de cada um. Até sobre a rotina de casa, como organizar o quarto, e como se comportar fora de casa. Sempre combine junto com seu filho e cobre que ele cumpra aquilo que combinou.

  • Meu filho fica irritado se bate ou bate em mim

Essas situações exigem muita paciência. Lembre que a criança não está te provocando, ela está mostrando que não sabe o que fazer com os sentimentos dela. Se estiver batendo a cabeça no chão, coloque uma almofada e espere passar. Se estiver se machucando ou machucando outras pessoas faça contenção física e retire do ambiente. Espere a criança se acalmar e abaixado na altura da criança pergunte como se sente, tente nomear seus sentimentos e ensine o que fazer quando ficar nervoso. Por exemplo, se estiver muito bravo e nervoso, grite em uma caixa, pode até deixar uma caixa específica para isso, decorada como caixa do stress. Ou então, crie um cantinho em casa, cantinho da paz, da calma, do amor. Onde a criança possa ir e se acalmar com suas coisinhas preferidas. Aprenderá que muitas vezes quando estamos nervosos o melhor é nos retirarmos e nos acalmarmos.

Aqui em casa já começou a fase dos 2 anos, e estamos aprendendo a respeitar a individualidade da Clarice e ela a respeitar as regras da nossa família. As poucos, repetidas vezes com muito carinho e respeito a sua fase de desenvolvimento.

Eu curto muito, pois é uma fase cheia de gracinhas e pura inocência.

Um beijo do pessoal daqui de casa,

Nat

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